Bayer entrevista: obrigatoriedade de bula em medicamentos manipulados

O Universo Farmacêutico conversou com o farmacêutico Jamar Tejada, proprietário e farmacêutico responsável pela Anjo da Guarda Farmácia de Manipulação e Homeopatia, graduado em Farmácia e Bioquímica pela ULBRA, pós-graduado em Ciências Homeopáticas pela FACIS/IBEHE, em Formação de Dirigentes Industriais com Ênfase em Qualidade Total e Engenharia de Produção pela UFRGS, em Gestão de Comunicação Estratégica Organizacional e Relações Públicas pela USP e em Gestão em Comunicação com o Mercado pela ESPM, sobre a obrigatoriedade da bula para medicamentos manipulados no estado do Paraná, os avanços que a nova lei traria para o comércio de medicamentos, a personalização da bula para o tratamento de pacientes, além da importância da existência de regras para que a obrigatoriedade seja implantada em âmbito nacional.

obrigatoriedade-de-bula-em-medicamentos

1- Por que, se os medicamentos manipulados oferecem os mesmo riscos de consumo indevido e possíveis reações adversas que os medicamentos comumente vendidos nas farmácias, só agora a obrigatoriedade da bula está se tornando realidade?
Acredito que só agora a obrigatoriedade foi colocada em prática por exigência da própria população e também pelos inúmeros erros que temos visto na mídia, causados por profissionais e farmácias que desclassificam e desvalorizam o setor.

2- A ausência da obrigatoriedade nacional das bulas para manipulados, até o presente momento, se deve ao fato de que estas devem ser personalizadas ao uso de cada paciente ao se comparar às bulas dos medicamentos produzidos em larga escala? Essa personalização seria um ponto positivo para o tratamento do paciente?
Sempre digo que cada indivíduo é um universo em particular, cada pessoa responde a um tratamento de uma forma, portanto a importância dessa personalização e, obviamente, de um profissional da saúde que esteja disposto a realizar esse atendimento de forma especial é essencial.

3- Que avanços a obrigatoriedade da bula no Paraná trazem para o cenário do comércio de medicamentos no Brasil?
Acho que não há como escapar dessa obrigatoriedade, já que a meta é um futuro de qualidade na área da saúde. Pode-se dizer que o Paraná, como pioneiro, servirá de exemplo e como estado de experimentação, visto que esta exigência é um passo muito grande e um tanto novo para nós farmacêuticos.

4- Há um modelo específico de conteúdo e design para as bulas dos medicamentos manipulados? Quais são as informações obrigatórias?
Não há um modelo específico até o momento, ficando em aberto o mesmo para cada farmácia de manipulação, mas as seguintes informações devem constar: identificação do paciente e do fabricante, telefone do serviço de atendimento ao consumidor (SAC) do fabricante de origem, como usar o medicamento, cuidados necessários durante a gravidez e o período de amamentação, o que fazer caso a pessoa se esqueça de tomar o medicamento, onde e como guardar o medicamento, o que fazer em caso de acidentes, além de outras frases de advertência e informações sobre reações indesejáveis e contraindicações que o farmacêutico achar necessárias.

5- Em um curto espaço de tempo é possível que a obrigatoriedade seja válida para todo o território nacional?
Esses processos exigem uma atenção especial, além de tempo para a adaptação da farmácia, se não for feito de maneira correta e com a devida orientação pelos órgãos competentes, pode acabar confundindo o paciente. Por isso, apesar de ser uma obrigatoriedade que pode ser inserida em âmbito nacional rapidamente, deve-se antes de tudo existirem regras bem estabelecidas para que esta mudança venha a ser realmente positiva.

Confira a entrevista na integra: http://www.universofarmaceutico.com.br/faq/detalhe.aspx?ID=111