[BONS FLUÍDOS] Depressão e ansiedade: as 5 plantas medicinais utilizadas no tratamento desses distúrbios

Raridade hoje em dia quem diz não sofrer por ansiedade ou então depressão. Justificativas não faltam em uma época tão triste e tão incerta de pandemia que parece não ter fim. Muitas vezes perdidos, frustrados, com medo e muito mal orientados acabamos caindo nas garras dos medicamentos controlados, o que pode se tornar um caminho sem volta.

Clonazepan é o nome químico do medicamento que ajudou a sua classe química, os benzodiazepínicos a ficar em primeiro lugar em vendas nos controlados. Depois vieram o bromazepam e o alprazolam. Esse tipo de medicamento é utilizado para combater a ansiedade e para provocar o sono, por isso são chamados também de ansiolíticos, hipnóticos, tranquilizantes — no fundo são todos a mesma coisa. (…)

Essas medicações agem rapidamente, ao contrário da maioria das medicações psiquiátricas, em minutos levam a criatura a um estado de alívio da ansiedade e favorecem a chegada do sono, o que explica serem os mais vendidos, trata-se um impaciente com uma droga para impaciente! Se eu sou contra? De forma alguma! Às vezes são bem vindos. O problema é quando são usados para casos que não têm indicação psiquiátrica.

A ansiedade é algo extremamente normal, estranho seria se nesse ambiente doido que vivemos, vivêssemos indiferentes! Anormal é o transtorno de pânico, a ansiedade generalizada, a fobia social. O que não pode é fazer uso desses após ficar nervoso com uma discussão com o namorado(a), num pré-prova, etc.

Mas você sabe a diferença entre ansiedade e depressão?

Ansiedade é uma característica biológica que antecede o momento de medo, perigo ou de tensão. O transtorno é marcado por sensações como vazio no estômago, coração acelerado, nervosismo, transpiração, fadiga, insônia, falta de ar ou sensação de sufoco, dores no peito, palpitações, afrontamentos, arrepios, suores, frio, mãos úmidas, boca seca, tensão muscular, dores, dificuldades para relaxar e, obviamente, dificuldades para dormir.

Já a depressão é um problema médico caracterizado por diversos sinais e sintomas, dos quais dois são mais fortes: humor persistentemente rebaixado, apresentando-se como tristeza, angústia ou sensação de vazio e redução na capacidade de sentir satisfação ou vivenciar prazer. O deprimido afasta-se de amigos ou pessoas, sente cansaço e perda de energia, tem problemas de autoconfiança e autoestima, dificuldade de concentração e de tomar decisões, sentimento de culpa, desesperança, desamparo, solidão, ansiedade ou inutilidade, alterações no sono, perda do desejo sexual, pensamentos de suicídio e morte, inquietação, irritabilidade e autoagressão.

O estado depressivo diferencia-se do comportamento “triste” ou melancólico que afeta a maioria das pessoas por se tratar de uma condição duradoura de origem neurológica acompanhada de vários sintomas específicos. Ou seja, depressão não é tristeza. É uma doença que tem tratamento.

O uso de medicamentos ansiolíticos e antidepressivos pode criar dependência após alguns meses de uso, além disso a pessoa vai precisar de doses cada vez maiores para obter o mesmo efeito e, a própria abstinência destas medicações causam ansiedade intensa, insônia e inquietação.

Será que te convenci a buscar uma terapia natural? Sou farmacêutico, quanto mais estudo os medicamentos alopáticos mais amo as plantas! O uso de medicamentos fitoterápicos, que são feitos com plantas e agem e forma semelhante às drogas sintéticas, sem tantos efeitos colaterais podem ser sua saída!

A saída pode estar nos medicamentos fitoterápicos

Os fitoterápicos, como todo medicamento, passam por uma série de pesquisas para comprovar sua eficácia. Já as plantas medicinais podem ser usadas de outras maneiras, no preparo de chás. Mas saiba que nem todos medicamentos naturais já caíram nas graças dos cientistas. É preciso conhecê-los bem antes de correr até a farmácia fitoterápica mais próxima e ficar atento ao rótulo do produto onde há o número de registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa. Para ser registrado, o medicamento deve passar por testes que comprovam sua eficácia, segurança e qualidade.  

Mas um simples chazinho não resolve?

Se suas crises não são graves, os chás podem ser a solução, pois possuem princípios ativos de maneira mais branda, o que reduz a probabilidade de complicações.

Cada planta possui milhares de substâncias químicas capazes de reagir de maneira indesejada com medicamentos comuns. A passiflora, por exemplo, que é um calmante suave, causa sonolência excessiva se combinada com outros medicamentos! Não é pelo fato de ser natural que não faz mal, orientação médica e farmacêutica são indispensáveis!

Toda erva pode interagir com uma série de medicamentos como os quimioterápicos, os anticoncepcionais e os diluidores de sangue, entre outros, bem como não devem ser utilizadas ao mesmo tempo que outros antidepressivos porque isso pode provocar um aumento da serotonina. Ou seja, informe o seu médico a respeito de qualquer medicamento, suplemento ou planta medicinal que esteja usando para saber se ele não pode interagir com qualquer outro tratamento que esteja fazendo.

Para que você não fique tão perdido seguem abaixo as cinco principais plantas utilizadas para tratamento da ansiedade e depressão, assim como a posologia para o preparo da infusão. Quanto as cápsulas de pó ou extrato seco por serem mais concentrados com seus princípios ativos devem ter uma dosagem específica a cada paciente, por isso converse com seu médico ou farmacêutico e evite a automedicação!

1. Melissa, Erva Cidreira ou Melissa officinalis

– Indicações e Ação Farmacológica: o ácido rosmarínico da Melissa officinalis é um dos principais componentes que devem a sua resposta farmacológica. É indicada na inapetência (ausência do apetite), na gastrite, nos espasmos gastrintestinais, nas disquinesias hepatobiliares, meteorismo (presença exacerbada de gases no trato gastrointestinal), nas coleocistites, nas diarréias, na ansiedade, na insônia, na hipertensão arterial, na taquicardia, na enxaqueca, na asma, na dismenorréia, em feridas, no hipertiroidismo e herpes simples. Também apresenta efeito sedativo e ligeiramente hipnótico, e antioxidante.

– Toxicidade/Contraindicações: o óleo essencial de Melissa se comporta como neurotóxico e mutagênico em doses elevadas. O linalol e o terpineol produzem um efeito depressor do sistema nervoso central e em altas doses provocam quadros narcóticos. Ocasionalmente pode produzir hipertensão arterial em doses normais por vasodilatação periférica.

É contraindicado o uso de óleo essencial de Melissa durante a gravidez, lactação, para crianças menores de seis anos de idade, pacientes com gastrite, úlceras gastroduodenais, síndrome do cólon irritável, colite ulcerativa, doença de Crohn, epilepsia, afecções hepáticas, doença de Parkinson ou outra enfermidade neurológica. Não fazer uso tópico em crianças menores de seis anos e pessoas com alergia conhecida a óleos essenciais.

– Modo de usar: uma colher de sobremesa da rasura de melissa por xícara, infundindo por 10 minutos. Tomar 3 ou mais xícaras por dia.

2. Camomila ou Matricaria recutita

– Indicações e Ação Farmacológica: o óleo essencial e os flavonóides da camomila são os responsáveis por praticamente todos os efeitos farmacológicos conhecidos. O efeito ansiolítico que a camomila apresenta está relacionado com o flavonóide apigenina, o qual, é capaz de se ligar a receptores GABA- A cerebrais de maneira similar aos benzodiazepínicos.

A apigenina provoca um bom efeito ansiolítico capaz de diminuir a ansiedade sem provocar depressão do sistema nervoso central. A atividade antiespasmódica que essa planta apresenta é de exclusiva ação da apigenina, mas estudos recentes confirmam que essa atividade depende tanto dos componentes do óleo essencial como dos flavonóides e cumarinas.

– Toxicidade/Contraindicações: ela é contraindicada na gravidez e para lactantes. Não há causas que apontem em estudos intoxicação pelo uso da camomila.

– Modo de Usar: infusão: 2-3 xícaras, depois das refeições.

3. Erva de São João ou Hipérico (Hypericum perforatum)

– Indicações e Ação Farmacológica: o Hipérico está indicado para o tratamento de pacientes afligidos por depressão leve a moderadamente severa e desordens psico-vegetativas acompanhadas de ansiedade. Nos testes clínicos de duplo desconhecimento utilizando o Hipérico, comparado a um grupo placebo, observou-se, primeiramente, para a droga verdadeira, melhoria significativas nos problemas vegetativos relacionados à depressão, tais como distúrbios do sono, exaustão, dores musculares, cefaléia e consciência cardíaca e posteriormente, alívio dos sintomas subjetivos específicos, como melancolia, sentimento de culpa e ansiedade.

Hipérico, ao contrário do que ocorre na utilização da maioria dos agentes antidepressivos, não apresentam distúrbios na capacidade de concentração, na coordenação motora, na memória e na reatividade frente a estímulos neurossensoriais. Isto sugere que não apenas está isento de efeitos sedativos, como ainda atenua os problemas de atenção e reação que normalmente compõem o quadro depressivo.

Também tem ação adstringente, antidiarreico, anti-inflamatório, vulnerário, diurético leve, colagogo, cicatrizante, antisséptico e vermífugo.

– Toxicidade/Contraindicações: hipérico é contraindicado em pacientes diabéticos, na gravidez e lactação, e também em crianças com idade inferior a 12 anos até que se obtenha dados confiáveis da segurança nestes períodos. É incompatível com alimentos e plantas que contenham tiramina (a associação pode produzir elevação da pressão arterial). Não é recomendado para pacientes com depressão crônica.

– Modo de Usar: infusão: 15-30 g/L. Tomar 2-3 copos ao dia.

4. Maracujá (Passiflora alata Dryand)

– Indicações e Ação Farmacológica: é indicado em casos de dores de cabeça de origem nervosa, ansiedade, perturbações nervosa da menopausa, insônia, taquicardia nervosa, doenças espasmódicas e nevralgias. Devido aos alcaloides e flavonóides, age como depressor inespecífico do sistema nervoso central, resultando em uma ação sedativa, tranquilizante e antiespasmódica da musculatura lisa.

O maracujá também tem atividade cardiovascular devido ao fato de diminuir por instantes a pressão arterial e ativa a respiração, deprimindo a porção matriz da medula. A passiflorina (princípio ativo) é similar a morfina e é um medicamento de grande valor terapêutico como sedativo e que, apesar de narcótico, não deprime o sistema nervoso central. E também possui efeitos analgésicos, o que justifica o seu uso nas nevralgias.

– Toxicidade/Contraindicações: é contraindicado em pessoas de hipotensão. Deve-se controlar o uso das folhas na forma de chá, pois existem riscos de intoxicação cianídrica consequente ao uso de doses exageradas. Não há relatos de risco durante a gestação/lactação.

– Modo de Usar: infusão da rasura das folhas , 1-2 g em 150 mL de água fervente, tomar 1-4 vezes por dia (10 a 15 minutos após o preparo).

5. Valeriana (Valeriana officinalis)

– Indicações e Ação Farmacológica: a Valeriana é indicada na ansiedade, na insônia, na taquicardia, na hipertensão arterial, nas cefaléias, na síndrome do cólon irritável, nos espasmos gastrintestinais, nas parasitoses, como coadjuvante em tratamentos de epilepsia, em contusões, em dermatoses, no stress, na asma e broncoespasmos de origem nervosa.

A atividade terapêutica da Valeriana corresponde fundamentalmente com dois aspectos: antiespasmódico e sedante. Os efeitos sedativos esperados com relação à potência farmacológica são menores que os proporcionados pelos benzodiazepínicos e outros compostos similares. Várias experiências demonstraram que a raiz da Valeriana é um excelente indutor do sono em pacientes que não haviam se submetido a outros tratamentos. Assim sendo, um ácido volátil, a valeranona (princípio ativo) se comporta como um modulador do sono.

Estudos bioquímicos têm demonstrado que o ácido valerênico (princípio ativo) inibe o sistema enzimático central do GABA. O aumento deste se associa a uma diminuição da atividade do SNC. No entanto, a ação sedativa dos extratos totais da raiz de Valeriana sobre os receptores GABA.

– Toxicidade/Contraindicações: as doses orais são bem toleradas em geral. Nas doses usuais. Devido a sua ação sobre o sistema nervoso central, não se recomenda seu uso prolongado já que pode provocar dependência. Alguns estudos expressaram atividade citotóxica dos valepotriatos (princípio ativo). Esta citotoxicidade foi demonstrada in vitro, mas não in vivo, em doses de 1350 mg/kg. É contraindicado o uso durante a gravidez e lactação (devido ao óleo essencial). Não deve ser tomado junto a outros depressores do sistema nervoso central, pois o efeito pode se potencializar.

– Modo de Usar – Infusão (Rasura): 1,5g para cada 200 mL de água. Tomar até três vezes ao dia.

JAMAR TEJADA