Pavor de quem…

Pavor de quem…

Rança;

É bagaceira;

Para na sua vaga e diz que é rapidinho;

Faz aquele esquema de separar a gema da clara do ovo dentro da casca;

Não acredita em et;

Separa as moedas em grupinhos e enrola em durex;

Fala “namorido”;

Sai escovando os dentes caminhando pela tua casa bem devagar e olhando as paredes;

Pergunta se o celular é TIM;

Dá aquelas cuspidinhas curtas;

Grita na rua: “Oh alemão! “

Esfrega a mão no vidro embassado do ônibus;

É combinandinho;

Tem pêlo na orelha;

Acredita que All-Star é confortável ;

Abre embalagem de leite com tesoura;

Não acha engraçado a Fernandona da MTV;

Abre presente descolando o durex;

Toma tequila e dá aquela rapida batidinha com os dedos ;

Se esforça pra agradar;

Ri de quem escreve “menas”, mas escreve “agente” e “simplismente ” ;

Acha que o verbo enfocar existe, só no mundo das focas!

Limpa ouvido com cotonete e toca pela janela;

Fala “gata garota”;

Tem barba desenhada;

Fica pendurado no face quando está “conversando” com você;

Não conhece The Doors e The Smiths;

Desconhece o hino nacional, mas sabe todas as letras da Madonna;

Diz que tá desenvolvendo um projeto, aliás sabe-se que há anos;

Precisa Lexotan pra acordar e Rivotril pra dormir e usa floral porque tá muito ansiosa;

Usa crocs e bermuda cheia de bolsos;

Fala alto;

Faz coração com a mão e ainda aponta pra você;

Usa meia “carpim” com tênis;

Pede o meu filtro solar na praia;

Pede pra dar uma olhadinha nas coisas enquanto dá um mergulho;

Fede;

É catedrático;

Fala que strogonof é comida de suburbano;

Te para na rua para perguntar a raça do teu cachorro;

Guarda o recibo do cartão de crédito;

Fala mim isso e mim aquilo;

Te serve com Coca Zero quando você pediu Light;

Emplastra cabelo com creme de pentear;

Para de falar pra assistir videocassetadas;

Acha “pata de camelo” sexy;

Defende os animais, mas não cumprimenta ninguém

Pede nota fiscal assim: “Me vê uma paulistinha?”

Promete;

Pergunta: “-Mas o que ela faz hein?”

Não toma chimarrão em casa, só no Ibirapuera;

Tira foto abraçado com a hostess, fingindo intimidade;

Joga papel na rua;

Lava calçada com mangueira;

Acha que o amor não existe em São Paulo;

Fala com voz séria : “Precisamos conversar”;

Nunca leu o Pequeno Príncipe ;

Critica que eu critico.

Duras palavras que aprendemos com o tempo

Um dia, lá atrás, quando sua mão ainda era muito pequena, você ia dormir com fome de mamadeira e carinho de mãe e sempre tinha uma desculpa pra chamar por ela: “Ô manhê! Você não leu pra mim a estorinha!”

Você não gostava que desligassem a luz e de ter que ouvir o :“Boa noite! O pai e a mãe estão aqui ao lado!”. Você ficava de rebote esperando eles dormirem pra correr de mansinho pra cama deles;

Passa o tempo e depois do leite com Nescau no copo, você até já consegue ficar no escuro, mas sempre enfiado debaixo do cobertor, o medo dos vampiros que assombram o quarto é ainda maior que o calor que escorre pela tua pequena testa. Você morre de calor, mas não tem a audácia de colocar um dedinho sequer pra fora;

Você reza pelo seu pai, sua mãe, seus avós, seus irmãos, seus primos, seus dindos, seu cachorro, seu passarinho, seu hamster, seus amigos, ninguém pode ficar de fora! Se você esquecer um, ele correrá sério risco de vida;

Ainda nesse tempo teus amigos te ligavam convidando pra dormir na casa deles: “Traz o baralho e o Pula Pirata tá?”

Passa-se mais tempo, você já vai pra cama depois do horário da novela e tá cansado porque estava cheio de tema de casa. Você bebe leite com café.Você reza só pros primeiros da lista e seu cachorro;

Passa-se mais tempo e você agora só dorme com a porta trancada, misteriosamente sua mão não sai debaixo do cobertor. Tem coisas mais interessantes à noite pra se fazer do que rezar;

Passa-se mais tempo e você começa a se perguntar o que vai ser quando crescer; teu corpo não acompanha sua cabeça, ou será a sua cabeça que não acompanha mais seu corpo?Parece que você tem os braços maiores que as pernas e ainda por cima uma perna maior que a outra, a sua voz sobe e desce sem sua autorização…

Suas dúvidas, seus medos… ninguém te entende, o mundo todo tá errado, você é a única pessoa que entende a difícil batalha do que é ser você;

Você se apaixona perdidamente, ela vai ser a mãe dos seus filhos, com certeza;

Passa-se mais tempo, sua angústia se chama prova, você começa a entender o significado da palavra responsabilidade;

A maldita “prova” é o maior problema existente na vida de um ser humano. Talvez próximo desse problema, o problema de não ser o primeiro escolhido pro time de futebol ou de você não ter sido escolhido por quem queria na reunião dançante… tudo encontra-se no mesmo patamar. Você começa a aprender o significado da palavra vergonha.

Passa-se tempo, provas viram seu cotidiano, você se acostuma com elas. Você estuda pela manhã, faz estágio a tarde e dá aulas à noite, você começa a aprender o significado da palavra cansaço. Como sempre você acha que está no limite, que não há maior prova de resistência que possa ser exigida;

Passa-se tempo e as provas mudam de endereço, elas foram transferidas para o novo dono de sua vida, o chamado “banco”. Ele parece ser o seu mais novo e fiel amigo, te abre portas, te faz gente. Você capricha na letra na hora de preencher o presente desse novo amigo, um presente chamado cheque. Cada cheque preenchido, uma carta de alforria ao seu ontem chamado criança. Você hoje bebe só café. Puro. Sem açúcar. Você reza, mas só por você.

Passa-se tempo, nem tanto assim e aquele que se dizia ser seu melhor amigo, o tal banco, arranca a máscara, você começa a entender o sentido da palavra escravidão. Os fantasmas não são brancos, são vermelhos da cor de sua conta e os vampiros tem dentes formados por números. Você é apresentado a sua nova inimiga, a depressão.

Seus outros amigos aos poucos desaparecem, você tá sozinho no meio de uma multidão de fantasmas, as pessoas sabem só dizer: “-Venha a mim!” Mas ninguém pergunta o que pode fazer por você.

Passa-se tempo, você não vê muito sentido naquela correria toda do dia-a-dia.Trabalhar, levantar pra quê? Todo seu esforço vai acabar na casa do seu falso amigo banco no fim…

Daí você recebe uma ligação de sua vó que te fala o quanto você precisa ficar de pé, nas dificuldades que passou antes mesmo que você tivesse chegado a esse mundo. Você presta atenção e percebe o quanto seus problemas são pequenos. Enxuga as lágrimas e promete a si mesmo que vai conseguir.

Esta noite você vai fazer diferente! Você teve uma ligação da vó, sua melhor receita de Prozac.

Você vai lembrar do tempo que tinha medo de vampiros, dos verdadeiros.

Não vai se esconder debaixo do edredon, porque já aprendeu a perder o medo.

Vai encostar o dedão do pé quente na parede fria e vai redescobrir na simplicidade a beleza da vida.

No final da noite você vai rezar, por você, pelo seu cachorro, hamster e periquito que já se foram, pelos teus avós que ainda estão de qualquer forma ao seu lado, pelo teus pais, primos, tios, dindos e amigos e vai voltar a aprender a usar uma palavra por você já esquecida: gratidão.

E vai remoldar em seu rosto uma máscara que você jamais deveria ter deixado cair, uma máscara que cobre todas as palavras feias que te fizeram aprender, a da leveza de ser uma criança, que só dá valor as coisas que vem do coração e não da razão.

Das coisas de ser gaúcho

Tomando um chimas com vista para o rio Guaíba, Rio Grande do Sul

Tomando um chimas com vista para o rio Guaíba, Rio Grande do Sul

 

Ser gaúcho

É ter que acordar cedo, mesmo que seja domingo, pra tomar café junto com o pai, com a mãe. Levanta “o lagartiXa”!

Café da manhã é cacetinho com chimia, almoço é churrasco e” janta“ é carreteiro, barulho de prato não é comida vivente!

É tomar banho com água “peleando” de quente;

É sair do banho com frio de renguear cusco reclamando: ”A La putcha tchê!”

Quando vê que a prosa vai ser longa vem a pergunta: “Me acompanhas num chimas tchê!?”

Chimarrão é mais que uma bebida quente, é remédio, é conversa, é poesia;

É tomar as tuas dores falando: “Mas bah tchê! Que barbaridade! E pra concordar que a pessoa agiu errado contigo: “Baita grosso!”

É saber a diferença entre um lambari e um girino;

É ser tri arriado;

É nunca se miXar diante dos problemas da vida, porque gaúcho não se azucrina!

É gavar ao invés de elogiar;

É não te provocar, é inticar;

É te ofender dizendo que tu não presta nem pra benzer tormenta!

É se exibir dizendo que tem BANRICOMPRAS;

Zaffari é o melhor e maior “shopping” do mundo, talvez perca pro DC Navegantes ;

A mulher gaúcha sempre vai ser a mulher mais linda do planeta e Gisele Bundchen nem é o exemplo, o exemplo é Ieda Maria Vargas, “o pai que vem com essas”;

Ainda das mulheres gaúchas, ela pode fazer sucesso lá fora como modelo, mas gata mesmo é a que venceu o Garota Verão, tem cada “alemoa-polenteira” ;

Toda família gaúcha tem uma tia-avó inconveniente que está presente em todo almoço e jantar realizado na tua casa, é a tia que não tem paciência pra te ouvir, ela corta o teu “papo” porque sempre tem um “causo” mais curioso da comadre que você nem imagina quem seja;

Esta mesma “tia avó” vai perguntar se tu estás doente depois que tu lutastes meses contra a balança e vai te chamar de “pau de vira tripa” e diz pra tua outra tia que tu “tá que é um risco e fedor”

É ter que dar um “para-te-quieto” em quem não acha que Porto Alegre é capital mundial;

É ficar “de cara” porque soube que os vizinhos se separaram depois de todo mundo;

É se programar pra passar o feriado em Imbé ou Tramandaí, mesmo a praia sendo duas horas de casa;

É pegar a Freeway reclamando do movimento, sempre o pior que já pegou, mas sempre elogiando o quanto a pista tá ótima;

É levar a família toda pra praia, as “tia” e os “tio”, os “primo” e as “prima” que vem de Bagé, de Caxias e de Esteio, quando “junta” toda a turma você não sabe se tão se matando ou se divertindo porque é uma mistura de grito com sorriso que só a gauchada sabe fazer bem;

Alpargata e bombacha nunca vão sair de moda, mas moda boa é quando é à moda bicho;

O hino do Rio Grande do Sul é ensinado antes que o nacional;

Tchê! Mas que lezera! Vou parando por aqui esta prosa e como gaúcho que sou que não baixo o facho, digo que ser gaúcho não é só ter nascido com muita sorte, ser gaúcho é destino.

Mas bah tchê! Não nasceste gaúcho? Então guri de merda te some da minha frente! Tu tá lascado!

Tô brincando, é só pra inticar contigo!

Aprenda a desenhar um maldito elefante

Elefante

Minha cabeça sempre foi um tanto diferente, via coisas onde os outros não viam. Acredite, lembro quando ainda estava no maternal com 3, 4 anos de idade, na escolinha da Tia Manina e a tia Cláudia, minha professora, mandou desenhar um elefante e eu não tinha mínima idéia de como o fazer.

Sempre fui perfeccionista, ou o meu elefante seria o melhor ou preferia não ter aparecido naquele dia de aula. Procurei na sala a menina gordinha que era a que melhor desenhava e vi que o elefante dela realmente era lindo, pedi pra que desenhasse o meu, ela disse que só depois que acabasse o dela. Fiquei ali ao lado, esperando, ansioso. Ela pintava e pintava e pintava o maldito elefante dela e nada do meu. Chorei de pavor, porque sabia que meu tempo estava esgotando e eu ali com a folha em branco, mais branco que a folha era o meu pavor por ser o único da sala a não saber desenhar um elefante.

Muitos “coleguinhas” queriam dar o seu desenho para mim, mas eram elefantes medonhos, uns riscos marrons, uns riscos pretos, não era o elefante que eu queria, queria o elefante como o da maldita gordinha, um elefante colorido, cheio de vida.
Acabou-se o tempo e os desenhos deviam ser entregues. Entreguei um borrão preto na folha branca. Minutos depois, tia Cláudia me chama: “-Jamar o que foi que desenhaste?”.

Eu disse: “Não esta vendo? É uma formiga!”
Tia Cláudia: “Mas eu pedi pra desenhar um elefante!”
Respondi:”Será que você não entendeu?! O elefante estava aí, passou por cima da formiga, esmagou e foi embora!”

Pra tudo nessa vida se tem uma solução, às vezes tratamos o problema com o tamanho de um elefante e mediante o medo de tomarmos uma postura acabamos petrificados e esquecendo que a solução pode ser mais simples. Sempre faça tudo tentando ser o melhor, ouse, arrisque, tente de tudo, peça ajuda pro vizino, pra vizinha, abuse seu charme.

Fez de tudo? Não soube desenhar o maldito elefante? Então corra! Não tenha vergonha, se não estiver pronto pra hora do problema, saber fugir pode ser a solução mais sábia. Mas se é pra fugir é pra se refugiar, reestruturar-se, aprender a usar os seus lápis de cor e aí sim tentar denovo. As dificuldades de vida sempre são a melhor escola. Até fugindo estamos crescendo. Só não vale nessa vida tentar de qualquer jeito.

No meu tempo de guri

Do tempo que se sentava no gramado-Eu guri, minha mana e minha vó

Do tempo que se sentava no gramado-Eu guri, minha mana e minha vó

Das  coisas que eu via e que aprendi quando  guri

 

Em dia de São Jorge quando descia a turma da “terreira” minha mãe mandava ficar em silêncio, tinha que mostrar respeito pelo Santo;

Segurava-se a porta pra pessoa seguinte passar;

Meu pai desenhava comigo;

Se uma pessoa espirrasse, a palavra SAÚDE deveria sair na mesma velocidade do espirro;

Falar bom dia, boa tarde e boa noite eram cumprimentos vindos juntos ao primeiro olhar;

Na mesa era proibido sentar-se sem camisa e com boné, só podia se servir depois que todos estivessem sentados, meu pai servia-se primeiro;

Não se falava de boca cheia, não se gesticulava com os talheres na mão, coluna devia estar ereta, o garfo ia até a boca  e não a boca até o garfo;

Ah, não se ousava esfregar o garfo nos dentes;

Caminhar pela casa com escova de dente na boca, cheia de espuma, não mostrava sinal de higiene e sim falta de educação;

Quando a professora entrava na sala, todo mundo levantava;

Se tinha jardineiro trabalhando no pátio, devia se oferecer um lanche e café;

Dia de aniversário tinha “branquinho” e “negrinho” feito pelas próprias mãos;

Quando ganhava presente se agradecia;

O vizinho e a vizinha da casa nova vinham se apresentar, com sorriso, se não viessem eu iria;

As pessoas gostavam do que faziam e não sabiam as leis mais que seu próprio trabalho;

A babá ou Bá era sua segunda mãe e não existiam câmeras pela casa;

Não era vergonhoso dizer que se comeu ovo frito com pão;

Noite de Natal era com toda a família e eram noites felizes;

As pessoas se arrumavam pra ir à missa;

Antes de dormir rezar, não pra mim, mas pelos que eu amo;

O banco só tinha uma porta de acesso, a de entrada;

O medo de perder o cérebro, era pelos zumbis e não pelas ondas de celular;

Caminhar pela noite escura era um passeio divertido, não uma tentativa de suicídio;

Restaurante que servia com fartura era restaurante chique;

Das coisas que eu via e vivia

Aprendi que é preciso ter respeito pra ser respeitado,

Que pra querer ser amado acima de tudo tem que se ser educado,

Que respeito, amor e educação são palavras bem-vindas na criação

E que se você não fizer de coração, pode crer, não vai muito longe nessa vida não.

Garotos e garotas

Garotas bonitas andam em grupo de três sempre com pressa

Garotos bonitos andam em grupo de cinco e ficam sentados no muro

Garotas que estudam demais não são convidadas pro baile

Garotos que estudam demais se escondem no baile

Garotas que andam de bicicleta sorriam junto ao vento

Garotos que andam de bicicleta sempre arrancam a casquinha do ferimento

Garotas que andam sozinhas muitas vezes nem chegam em casa

Garotos que andam sozinhos se julgam auto-suficientes

Garotas loiras brilham no sol

Garotos loiros detestam ser chamados de: Oh alemão!

Garotas morenas sempre prendem os cabelos

Garotos morenos passam gel no cabelo

Garotas ruivas passam tinta no cabelo

Garotos ruivos te fazem sangrar

Garotas tristes querem alguém pra namorar

Garotos tristes querem o pai pra conversar

Garotas ricas ganham anel “chuveirinho”

Garotos ricos explodem no colégio o banheirinho

Garotas  malucas colam tattoo de figurinha de chiclete no corpo inteiro

Garotos malucos brincam com isqueiro

Seja bom ou seja mau

Só não esqueça garoto e garota, seja tudo nesta vida

Só não seja normal!

Passei dos 30

Passei dos 30

Foto: Baile VOGUE 2011|Stylist: Marcelo Sommer | Make Up: Eliseu Cabral

Passei dos 30.

E ainda tem tanto pra fazer, pra ir, pra conhecer, pra pular, pra cheirar, pra correr, pra seduzir, pra quebrar, pra mergulhar, pra corar, pra pensar.

Quando penso que eu ainda não nadei com golfinhos, fico triste.

Quando penso que ainda não vi um ET, agradeço a Deus.

Quando penso que ainda não virei milionário, jogo na loteria.

Quando penso que ainda não tenho o corpo que queria, esqueço a embalagem e olho para o conteúdo.

Quando penso que ainda não fiz sexo a quatro, cinco… Me acho adequado.

Quando penso que não rezo o suficiente, peço perdão pro lá de cima e desligo a TV.

Quando penso que fico muito tempo em pé, eu deito.

Quando penso que não sei muito sobre tudo, honro minha inteligência.

Quando penso que não sou o que queria ser, fecho os olhos e finjo crer.

Quando penso que tenho medo, eu lembro do que já enfrentei .

Quando penso que vivo trabalhando, paro e trabalho pra viver.

Quando penso que tenho falso amigo, não atendo mais sua ligação.

Quando penso que ajudo os outros, será que ajudei a mim?

Quando penso que tenho inimigos, tento compreendê-los, algo de bom não fiz.

Quando penso que as portas estão fechadas, procuro as janelas.

Quando penso que a vida é belíssima, acordo pra confusão que é vivê-la.

Quando penso em quanto enxergo hoje mais, me pergunto se é preciso óculos.

E assim vou vivendo, me perco, vivo e penso, mesmo que pensar doa, mas nos faça ver que melhor viver vendo a verdade do que morrer fingindo ser cego sem um segundo de verdade a vida permitir se ter.