No meu tempo de guri

Do tempo que se sentava no gramado-Eu guri, minha mana e minha vó

Do tempo que se sentava no gramado-Eu guri, minha mana e minha vó

Das  coisas que eu via e que aprendi quando  guri

 

Em dia de São Jorge quando descia a turma da “terreira” minha mãe mandava ficar em silêncio, tinha que mostrar respeito pelo Santo;

Segurava-se a porta pra pessoa seguinte passar;

Meu pai desenhava comigo;

Se uma pessoa espirrasse, a palavra SAÚDE deveria sair na mesma velocidade do espirro;

Falar bom dia, boa tarde e boa noite eram cumprimentos vindos juntos ao primeiro olhar;

Na mesa era proibido sentar-se sem camisa e com boné, só podia se servir depois que todos estivessem sentados, meu pai servia-se primeiro;

Não se falava de boca cheia, não se gesticulava com os talheres na mão, coluna devia estar ereta, o garfo ia até a boca  e não a boca até o garfo;

Ah, não se ousava esfregar o garfo nos dentes;

Caminhar pela casa com escova de dente na boca, cheia de espuma, não mostrava sinal de higiene e sim falta de educação;

Quando a professora entrava na sala, todo mundo levantava;

Se tinha jardineiro trabalhando no pátio, devia se oferecer um lanche e café;

Dia de aniversário tinha “branquinho” e “negrinho” feito pelas próprias mãos;

Quando ganhava presente se agradecia;

O vizinho e a vizinha da casa nova vinham se apresentar, com sorriso, se não viessem eu iria;

As pessoas gostavam do que faziam e não sabiam as leis mais que seu próprio trabalho;

A babá ou Bá era sua segunda mãe e não existiam câmeras pela casa;

Não era vergonhoso dizer que se comeu ovo frito com pão;

Noite de Natal era com toda a família e eram noites felizes;

As pessoas se arrumavam pra ir à missa;

Antes de dormir rezar, não pra mim, mas pelos que eu amo;

O banco só tinha uma porta de acesso, a de entrada;

O medo de perder o cérebro, era pelos zumbis e não pelas ondas de celular;

Caminhar pela noite escura era um passeio divertido, não uma tentativa de suicídio;

Restaurante que servia com fartura era restaurante chique;

Das coisas que eu via e vivia

Aprendi que é preciso ter respeito pra ser respeitado,

Que pra querer ser amado acima de tudo tem que se ser educado,

Que respeito, amor e educação são palavras bem-vindas na criação

E que se você não fizer de coração, pode crer, não vai muito longe nessa vida não.

One Response to No meu tempo de guri

  • É verdade primo, enquanto dar “Bom dia , boa tarde ou agradecer algo” era para ser normal hoje em dia é anormal. Por isso que os gaúchos principalmente são reveladores deste respeito, desta boa vizinhança…nada contra os outros estados..mas os gaúchos é que tem esta tradição que não vejo em lugar mais nenhum!! E na semana Farroupilha fica explicito este respeito e amor pelas tradições , a terra e o orgulho de ser gaúcho, só entende isto quem conhece a nossa terra. Para outros parece estranho , ou até ridículo os homens de bombacha, tomar nosso chimarrão à 40°, mas só nós sabemos o que é tomar uma cuia rodeado de amigos numa “área verde” . Não tem preço!!
    Prima Val