Tendência tupiniquim

Falar de moda é um terreno um tanto perigoso. Atualmente tudo é permitido, você pode até extrapolar, mas desde que o que esteja sendo usado esteja dentro do senso comum do seu “habitat”.

Você não pode esperar que um índio vista um terno Zegna, assim como não podemos esperar deste homem de terno Zegna um cocar e uns penachos enfiados na cabeça, apesar de encontrar muitos executivos com pulseirinha e colar de coquinho, o que eu chamo de um “executivo-caboclo”. Como já ouvi uma vez, será que pelo fato de ter nascido brasileiro vou ser condenado a gostar de mato, vestir pena e fuxico e usar “shampoo” e creme de buriti? Não somos obrigados!

Bom senso é o conceito que deveria estar acoplado a palavra estilo. Contrariando alguns, moda não deve ser  só aquilo que você veste que te traz conforto, porque o que te deixa confortável pode deixar desconfortável o próximo. Por exemplo, faz-me mal deparar-me com uma criatura vestida de “chambre” na fila do mercado, acredite mas na minha vida já encontrei muitas e muitos e cada imagem ficou gravada na minha memória, talvez pelo trauma, porque sofro de um mal chamado vergonha alheia.

Modismos e tendências podem ser armas poderosas nas mãos de pessoas erradas. Um modismo um tanto desconfortável é esse de se usar Havaianas com calça jeans, a calça pode ser incrível e a Havaianas edição limitada, mas você pode pôr a perder sua reputação caso você esqueça de simples detalhes, aliás nem tão simples, como cortar as unhas e lixar os pés, sem falar de quem tem a maldita unha grossa, derivada de fungo ou não menos pior, a frieira, mas não vamos nos deter ao assunto higiene. Higiene é acessório básico na moda. Por favor também não vão ler este artigo e encher os pés de talco! Isso só é permitido se você tem acima de 70 anos e ainda se dorme isoladamente.

Tenho muito medo de tendências, ainda mais estas impostas pelos grandes meios de comunicação em massa, pois muita gente interpreta erroneamente. Assistindo a um casamento na novela Avenida Brasil, uma das personagens, uma senhora que mora no lixão, usou numa cena que envolvia casamento um enfeite de cabeça feito de garrafa pet e em outro casamento um enfeite feito de latinhas recicláveis. Muito pavor do que vem por aí, com certeza vai ter muito casamento, que se prestarem atenção por cima, a igreja vai parecer mais uma extensão do lixão da novela. Outra tendência na mesma novela que me assusta é a do acessório da Nina (Débora Falabella), uns pingentes de panelinhas penduradas no pescoço, ou estou deparando-me com muita cozinheira pelas ruas ou realmente o povo não entendeu que ela o usa porque ela interpreta uma chef! Tem gente que só falta pendurar uma panela de pressão, até que seria mais autêntico.

Para não dizerem que só assisto novelas, vou citar outro fato de “modismo” que acho assustador e que não vejo nenhuma crítica na mídia: O que é o style daquele apresentador das tardes de domingo? Francamente! O cara era gordo e acabou emagrecendo, motivo de parabenização, mas por favor alguém “emagreça” aquele visual. Não sei o que é pior, se as camisas floridas ou listradas horizontalmente ou se as calças de cós alto, as chamadas “centro-tetas”. Até entendo que são altas porque mais baixa a barriga sobreporia à calça, mas mesmo assim convenhamos, se não peca por aí, o detalhe nas mesmas acaba com qualquer possibilidade de salvação: o passador do cinto é sempre na mesma cor do bolso! O último programa que assisti era verde abacate! Meu senhor, chame a atenção de seu figurinista por favor! Não gostaria de ver o porteiro do meu prédio, seu fã incondicional, com as mesmas calças “centro-tetas” com detalhes verde-limão, abacate ou da cor da fruta que for! Dá até azar ter como primeira imagem do dia uma criatura vestida desta forma.

Tem gente lendo este texto e se perguntando: “Mas o que um farmacêutico sabe sobre moda?”. Talvez nada. Não vou ficar falando que trabalho como modelo como justificativa, porque pode-se viver enfiado no meio de moda e não se ter mínima noção sobre a mesma, assim como também não fui “Dasluzete”, assim como não fiz faculdade de moda, muito menos design. Falar de moda é aberto a qualquer um que preze pelo bom gosto, óbvio que estudar sobre ela traz um diferencial. Tenho pavor deste povo que sai à noite, se veste com estampas de caveira, calça um All-Star, pinta o cabelo e faz um corte muito “do esquisito” e se acha o ditador da modernidade. Não sou nada disso, sou realmente um cara simples que preza pelo bom senso, mesmo muitas vezes sendo insensato,coisa que infelizmente não se aprende, acredito ser genético.Perdoem-me os cafonas, mas bom gosto e autenticidade são fundamentais!

Jeitin Mineirin de Ser

Aí você resolve ir pro interior, mas quando eu falo interior é interior mesmo, é lá de dentro.

Depois de horas de viagem, chego madrugada no casarão mineiro, habitado outrora pelos antepassados da família da minha querida amiga que me fez o honorável convite. Chegando lá sou aguardado pela família, que espera acordada àquela hora os visitantes, recebo um abraço caloroso e já sou levado pra farta mesa, enquanto a dona da casa corre pra cozinha pra preparar carne acebolada, pra rechear a “fornada” de pão de queijo que acaba de sair do fogo.

Eu, ainda meio que acordando e meio torto da viagem, cheia de voltas, subidas e descidas me surpreendo com toda esta demonstração de carinho, depois de viver o dia a dia corrido na “cidade cimento” a gente acaba perdendo o costume de ser bem tratado. Não sei o que me surpreende mais, se a fartura de comida ou a fartura de sorrisos. Não pensem que eu estava sendo aguardado porque acreditavam estar chegando um superstar, não, esta boa educação, este jeitinho gostoso de ser bem tratado era estendido a todos, não era apenas reservado a minha criatura.

Acordo pela manhã com aquele cheirinho de café, que entrava no âmago do ser deste que vos escreve que é viciado em cafeína, colhido da fazenda, torrado e moído pelas próprias mãos da família, sem agrotóxicos, sem essências, sem química alguma, tudo puro, como a alma desta gente. Não preciso nem citar que junto com o cafezinho vinha mais uma fôrma de pão de queijo quentinha acompanhado pelo queijo produzido também na fazenda. A frase que eu dizia a cada maravilha que era colocada a minha frente era: “ -Jesus! Tende piedade da minha balança!”

O “jeitin mineirin” de ser é único. Mau tempo é sinônimo de chuva, não de cara feia. Quando você pensa em dormir, já vem uma idéia: Vamos andar à cavalo? Vamos nadar na cachoeira? Vamos tomar “cafezin”? Vamos fazer trilha? Vamos subir nas montanhas? Vamos andar de moto?Só não se faz mais, porque não se tem tempo. Mineiro só dorme o tempo que o café está sendo torrado, mas nem dorme muito não porque senão ele fica preto, do tipo amargo e o ponto certo é o dourado: “É assim que você gosta né menino!?”

Um “jeitin” de ser que foi um tapa na minha cara de boyzinho da cidade, “metidin“, que jurava que o “ser bom” já estivesse extinto. Tá nada, tem muita gente boa de coração por aí nesse mundão. Precisava desta limpeza de alma que não foi feita só com bater da força das águas da cachoeira em minha cabeça, limpei com um sorriso de gente verdadeira, de gente simples, de gente trabalhadora, de gente com sobrenome que não o usa pra esbanjar a conta bancária, que o usa porque tem orgulho da família que veio, que a cada frase usada tem que falar do vô e da vó, do biso e da bisa, do tato e da tata, de peito estufado, no maior orgulho, quando aqui na cidade cimento tem gente que nem lembra que nasceu de uma mãe e um pai.

E no meio do sorriso dessa gente verdadeira, tomando banho de cachoeira, relembrei do meu tempo de criança, andando feito bicho, de chinelo no meio do barro, renergizado pros dias da cidade cimento que vem a surgir.

Termino este texto com “jeitin mineirin”: “Eita trem bom lembrar que se é gente uai!“

meu mais profundo agradecimento a um feriado muito especial à família Vilela Barbosa

Lago de Furnas | Boa Esperança - MG

Lago de Furnas | Boa Esperança – MG

 

Lago de Furnas | Boa Esperança - MG

Lago de Furnas | Boa Esperança – MG

 

Igreja da Matriz Nossa Senhora das Dores | Boa Esperança - MG

Igreja da Matriz Nossa Senhora das Dores | Boa Esperança – MG

 

Igreja da Matriz Nossa Senhora das Dores | Boa Esperança - MG

Igreja da Matriz Nossa Senhora das Dores | Boa Esperança – MG

 

Igreja da Matriz Nossa Senhora das Dores | Boa Esperança - MG

Igreja da Matriz Nossa Senhora das Dores | Boa Esperança – MG

 

Praça Igreja da Matriz Nossa Senhora das Dores | Boa Esperança - MG

Praça Igreja da Matriz Nossa Senhora das Dores | Boa Esperança – MG

 

Restaurante Pedreira | Lago de Furnas - MG

Restaurante Pedreira | Lago de Furnas – MG

 

Restaurante Pedreira | Lago de Furnas - MG

Restaurante Pedreira | Lago de Furnas – MG

 

O tradicional pao de queijo | Boa Esperança - MG

O tradicional pao de queijo | Boa Esperança – MG

 

Máquina de café | Fazenda Boa Esperança - MG

Máquina de café | Fazenda Boa Esperança – MG

 

Desbravando terras mineiras | Boa Esperança - MG

Desbravando terras mineiras | Boa Esperança – MG

 

Desbravando terras mineiras | Boa Esperança - MG

Desbravando terras mineiras | Boa Esperança – MG

 

Boa Esperança - MG

Boa Esperança – MG

 

Boa Esperança - MG

Boa Esperança – MG

 

Boa Esperança - MG

Boa Esperança – MG

 

Boa Esperança - MG

Boa Esperança – MG

 

Boa Esperança - MG

Boa Esperança – MG

 

Bezerrinhos nascidos no dia | Fazenda Boa Esperança - MG

Bezerrinhos nascidos no dia | Fazenda Boa Esperança – MG

 

Boa Esperança - MG

Boa Esperança – MG

 

"Podologia" de cavalos | Fazenda Boa Esperança - MG

“Podologia” de cavalos | Fazenda Boa Esperança – MG

 

Boa Esperança - MG

Boa Esperança – MG

Boa Esperança - MG

Boa Esperança – MG

 

Boa Esperança - MG

Boa Esperança – MG

 

Boa Esperança - MG

Boa Esperança – MG

 

Boa Esperança - MG

Boa Esperança – MG

 

Boa Esperança - MG

Boa Esperança – MG

 

Boa Esperança - MG

Boa Esperança – MG

Passei dos 30

Passei dos 30

Foto: Baile VOGUE 2011|Stylist: Marcelo Sommer | Make Up: Eliseu Cabral

Passei dos 30.

E ainda tem tanto pra fazer, pra ir, pra conhecer, pra pular, pra cheirar, pra correr, pra seduzir, pra quebrar, pra mergulhar, pra corar, pra pensar.

Quando penso que eu ainda não nadei com golfinhos, fico triste.

Quando penso que ainda não vi um ET, agradeço a Deus.

Quando penso que ainda não virei milionário, jogo na loteria.

Quando penso que ainda não tenho o corpo que queria, esqueço a embalagem e olho para o conteúdo.

Quando penso que ainda não fiz sexo a quatro, cinco… Me acho adequado.

Quando penso que não rezo o suficiente, peço perdão pro lá de cima e desligo a TV.

Quando penso que fico muito tempo em pé, eu deito.

Quando penso que não sei muito sobre tudo, honro minha inteligência.

Quando penso que não sou o que queria ser, fecho os olhos e finjo crer.

Quando penso que tenho medo, eu lembro do que já enfrentei .

Quando penso que vivo trabalhando, paro e trabalho pra viver.

Quando penso que tenho falso amigo, não atendo mais sua ligação.

Quando penso que ajudo os outros, será que ajudei a mim?

Quando penso que tenho inimigos, tento compreendê-los, algo de bom não fiz.

Quando penso que as portas estão fechadas, procuro as janelas.

Quando penso que a vida é belíssima, acordo pra confusão que é vivê-la.

Quando penso em quanto enxergo hoje mais, me pergunto se é preciso óculos.

E assim vou vivendo, me perco, vivo e penso, mesmo que pensar doa, mas nos faça ver que melhor viver vendo a verdade do que morrer fingindo ser cego sem um segundo de verdade a vida permitir se ter.